Ele quer convencer o Fisco de que beber vinho não pode ser considerado um pecado (Italia)

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Com a nova modelagem, que tende a adotar incidência monofásica e restringir mecanismos de compensação ao longo da cadeia, a tendência é de intensificação desse peso. Na prática, o impacto recai diretamente sobre o preço nas gôndolas e pode comprometer a competitividade do produto no mercado interno. Os efeitos não devem se restringir ao consumo.

A elevação da tributação tende a afetar decisões de investimento, reduzir a atratividade do mercado formal e gerar desdobramentos em setores interligados, como gastronomia, turismo e hospitalidade, que têm no vinho um vetor relevante de geração de valor e experiência.



O debate ganha tração em um momento estratégico para o setor, às vésperas da Wine South America, uma das principais feiras profissionais da indústria no continente. O evento será realizado entre 12 e 14 de maio, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, e deve reunir mais de 400 marcas de diferentes países, com estimativa de movimentar cerca de R$ 100 milhões em negócios.

Organizada pela Milanez & Milaneze, subsidiária da Vinitaly, a feira consolidou-se como um dos principais pontos de encontro do setor na América Latina. Além da geração de negócios, o evento funciona como um espaço para discussões estratégicas e articulações comerciais, especialmente em momentos de incerteza regulatória como o atual.

Segundo Marcos

Milaneze, diretor da Wine South America, a discussão sobre tributação exige uma abordagem mais calibrada. “A discussão sobre a tributação de bebidas alcoólicas é legítima, mas precisa considerar as especificidades de cada categoria. O vinho possui um perfil de consumo distinto, historicamente associado à moderação e à experiência gastronômica, além de desempenhar um papel relevante em cadeias de valor ligadas ao turismo e à economia criativa”, afirmou. O executivo também chama atenção para os riscos de uma equiparação simplificada do vinho a outras bebidas alcoólicas. “Quando se trata o vinho da mesma forma que outras categorias, sem considerar suas particularidades, o efeito pode ser a retração de um mercado que ainda está em fase de consolidação no Brasil, com impacto direto sobre investimentos, geração de emprego e desenvolvimento regional”, disse.

Os dados mais recentes reforçam o dinamismo do setor. Em 2025,



o mercado brasileiro de vinhos e espumantes movimentou cerca de R$ 21,1 bilhões, avanço próximo de 10% em relação ao ano anterior, conforme levantamento da Ideal.BI. O crescimento foi impulsionado pelo aumento do tíquete médio e pela valorização de rótulos de maior qualidade.

No caso dos espumantes, o volume já supera 40 milhões de litros comercializados anualmente, indicando uma mudança estrutural no padrão de consumo. Diante desse cenário, a combinação entre avanço regulatório e contesto de negócios tende a definir o ritmo do setor nos próximos anos, em um momento em que o vinho busca ampliar sua presença no mercado brasileiro e consolidar sua relevância econômica. Deixe um comentário O seu endereço de e-mail não será publicado.

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