Copa do Mundo movimenta o comércio e eleva pressão por eficiência financeira (Italia)

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O hábito de reunir amigos e familiares para acompanhar os jogos costuma estimular a compra de televisores, alimentos, acessórios temáticos e produtos relacionados à torcida. De acordo com projeções da consultoria NielsenIQ, as vendas de televisores podem crescer entre 15% e 20%, com forte concentração das compras nos meses que antecedem a competição. Neste ano, o evento esportivo coincide com um contexto particularmente favorável ao consumo.

Os meses de junho e julho reúnem fatores que tradicionalmente elevam o movimento do comércio, como as festas juninas, a proximidade das férias escolares e as temperaturas mais baixas típicas do inverno. A previsão de influência do fenômeno El Niño, associada a períodos mais frios e chuvosos, também tende a estimular a permanência das pessoas em casa, favorecendo o consumo de produtos voltados ao lazer doméstico. Se, por um lado, o aumento da demanda abre espaço para a expansão das receitas, por outro impõe desafios relevantes para a gestão das empresas.

A necessidade de recompor estoques,



negociar com fornecedores e administrar um volume maior de transações financeiras exige planejamento e capacidade operacional para evitar gargalos durante o período de maior atividade.

Segundo Bruno

Salles, CPTO da Accesstage, companhia especializada em tecnologia para gestão financeira e Open Finance, os momentos de aquecimento do varejo exigem uma estrutura financeira tão preparada quanto as áreas comerciais. “Estes períodos geram aumento expressivo nas operações financeiras das empresas, com a elevação do número de pagamentos, recebimentos, antecipações, relacionamento com fornecedores e movimentações de caixa. Sem uma gestão financeira estruturada, o crescimento pode gerar desorganização operacional e pressão sobre o capital de giro”, afirmou. A combinação entre maior volume de pedidos e necessidade de reposição acelerada de mercadorias costuma ampliar a complexidade das operações.

Nesse cenário, ferramentas de automação financeira, integração bancária e gestão digital de tesouraria ganham relevância ao oferecer mais visibilidade sobre os recursos disponíveis e maior agilidade na tomada de decisões. Para Salles, a diferença entre empresas que conseguem capturar plenamente as oportunidades e aquelas que enfrentam dificuldades está na capacidade de administrar seus recursos com precisão. “Hoje, o que difere uma empresa que sabe aproveitar a oportunidade não está apenas na venda. Está também na capacidade de operar financeiramente com eficiência em períodos de alta demanda e sabe, exatamente, o quanto tem de recurso financeiro em cada uma das suas contas, realocando para melhores investimentos”, destaca.

A busca por escalabilidade tem levado organizações de diversos portes a ampliar os investimentos em digitalização financeira. A adoção de plataformas que consolidam informações de caixa em tempo real, automatizam pagamentos e reduzem atividades manuais permite aumentar a produtividade sem a necessidade de expandir as estruturas administrativas na mesma proporção. “A transformação do modo operacional tradicional para uma tesouraria corporativa online vem permitindo uma visão consolidada de caixa em tempo real,



a automação de pagamentos e conciliações, a redução de processos manuais, uma maior previsibilidade financeira e o fortalecimento da gestão de capital de giro, permitindo também compras mais inteligentes de fornecedores para manter um estoque saudável até o final da alta demanda”, explicou. O avanço do Open Finance e das aplicações de inteligência artificial também começa a transformar a forma como as empresas analisam dados e projetam cenários.

A integração entre informações financeiras e tecnologias preditivas amplia a capacidade de antecipar riscos, identificar oportunidades e responder com mais rapidez às oscilações do mercado. “O varejo já se digitalizou na experiência de consumo. Agora, a grande transformação acontece na infraestrutura financeira que sustenta esse crescimento”, acrescentou Salles. Em um contesto marcado por forte movimentação comercial, a Copa do Mundo reforça que o desempenho das empresas depende não apenas da capacidade de vender mais, mas também da eficiência para administrar os recursos necessários para sustentar esse avanço.

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