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Economia
Fim da exclusividade nos vales alimenta disputa bilionária no setor de benefícios
Nova regulamentação do PAT acelera abertura do sistema e promete ampliar concorrência entre operadoras e meios de pagamento
Por Hugo Cilo
Jaqueline Mendes
Jaqueline Mendes
Compartilhe Publicado em: 14/05/2026 às 22:28
Última atualização: 17/05/2026 às 21:43
Imagens: Divulgação
Andre Purri, CEO da Alymente, diz que a modernização do PAT produz efeitos sociais relevantes O mercado brasileiro de vale-refeição e vale-alimentação começou a passar por uma das maiores transformações de sua história. A partir das novas regras estabelecidas pelo governo federal para o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), o setor inicia uma migração gradual para um modelo aberto de pagamentos, reduzindo a dependência de redes fechadas e das tradicionais maquininhas exclusivas utilizadas pelas operadoras de benefícios.
A mudança começou a valer neste mês e faz parte do decreto publicado no fim de 2025 para modernizar o funcionamento do programa. A principal alteração prevê que, até novembro de 2026, cartões de diferentes empresas possam ser aceitos em qualquer terminal de pagamento credenciado, independentemente da operadora responsável pelo benefício.
Na prática, a medida desmonta um modelo historicamente concentrado em redes proprietárias e inaugura uma dinâmica semelhante à já adotada pelo sistema financeiro tradicional, baseada em interoperabilidade e maior integração entre plataformas.
As novas regras também atingem diretamente a relação entre operadoras e estabelecimentos comerciais. Restaurantes e supermercados passam a operar com limite máximo de 3,6% para as taxas cobradas nas transações, enquanto o prazo de repasse dos valores foi reduzido de 30 para 15 dias. Segundo o governo, a iniciativa busca reduzir distorções no setor, estimular a concorrência e aliviar custos operacionais para os comerciantes.
O eixo central da reformulação, porém, está na abertura do ecossistema de pagamentos. Atualmente, muitos estabelecimentos ainda dependem de contratos específicos para aceitar determinados cartões de benefícios, o que restringe a concorrência e concentra mercado em poucas empresas. Com a interoperabilidade, a expectativa é ampliar a liberdade de escolha para trabalhadores, empresas e comerciantes.
Para Andre Purri, CEO e cofundador da HRTech Alymente, a modernização do PAT também produz efeitos sociais relevantes ao fortalecer o acesso dos trabalhadores à alimentação. “A atualização do programa reforça a proteção ao trabalhador e amplia a segurança na utilização do benefício. Isso contribui para melhorar qualidade de vida, bem-estar e autonomia financeira de milhões de pessoas”, afirma.
O impacto potencial da mudança é amplo. Hoje, mais de 22 milhões de brasileiros utilizam vale-refeição ou vale-alimentação no país. A reformulação altera não apenas a lógica operacional das empresas do setor, mas também o fluxo financeiro que movimenta um dos maiores mercados de benefícios corporativos do Brasil.
Especialistas avaliam que o sucesso da transição dependerá da capacidade técnica das operadoras e da adaptação dos estabelecimentos ao novo atmosfera regulatório.
Embora o modelo prometa ganhos de eficiência e competitividade, a implementação ainda é vista como um desafio relevante diante da complexidade das estruturas atualmente em operação.
Nesse novo cenário, empresas de tecnologia e meios de pagamento enxergam espaço para ampliar participação em um segmento historicamente dominado por poucos grupos. A expectativa do mercado é que a abertura do sistema acelere a inovação em serviços corporativos e aumente a pressão competitiva sobre as operadoras tradicionais.
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