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Economia
Brasil sobe no ranking de investimento estrangeiro e amplia presença entre multinacionais
Entradas de capital produtivo avançam com força no país, impulsionadas por energia, indústria e tecnologia em meio à reorganização econômica global
Por Hugo Cilo
Jaqueline Mendes
Jaqueline Mendes
Compartilhe Publicado em: 20/05/2026 às 01:00
Última atualização: 21/05/2026 às 00:37
Imagens: Ilustração gerada com IA A participação brasileira nos fluxos globais de IDE atingiu 4,9%, percentual considerado elevado O Brasil encerrou 2025 entre os principais destinos de Investimento Direto Estrangeiro (IDE) do planeta, consolidando uma posição de destaque em um cenário internacional ainda marcado por instabilidade geopolítica, inflação persistente e desaceleração econômica em diversas regiões. Segundo os dados mais recentes, os fluxos globais de IDE cresceram 15% no ano passado, alcançando US$ 1,66 trilhão, o maior volume desde 2021.
O avanço foi sustentado principalmente por reinvestimentos de multinacionais em suas operações, empréstimos intercompanhia e aumento da atividade de fusões e aquisições. Estados Unidos, Japão, China, Alemanha e Luxemburgo responderam por metade da origem desses recursos, reforçando a concentração global do capital produtivo.
Na outra ponta, os mercados emergentes passaram a ocupar um espaço cada vez mais relevante como destino desses investimentos. Nesse movimento, o Brasil ganhou protagonismo. O país recebeu US$ 77 bilhões em IDE em 2025, crescimento de 23% na comparação com o ano anterior. O resultado colocou a economia brasileira na terceira posição entre os principais receptores de capital estrangeiro no mundo, superando mercados desenvolvidos como Reino Unido, Alemanha e Canadá.
A participação brasileira nos fluxos globais de IDE atingiu 4,9%, percentual considerado elevado mesmo quando comparado a economias avançadas. O desempenho reforça a percepção internacional de que o país reúne condições estratégicas para expansão produtiva em setores ligados à energia, infraestrutura, indústria e serviços.
Os investimentos norte-americanos seguem liderando a presença estrangeira no Brasil e representam 26% da posição total de capital externo no país. Paralelamente, cresce a participação de grupos chineses, especialmente em segmentos ligados à infraestrutura, energia e mineração.
Os aportes estrangeiros vêm se concentrando em áreas consideradas estratégicas para a economia global. Nos setores primários, destacam-se petróleo, gás natural e mineração. Na indústria, a expansão ocorre principalmente nos segmentos químico e automobilístico. Já no setor de serviços, o fluxo de recursos se concentra em tecnologia da informação, eletricidade, gás e serviços financeiros.
A perspectiva para os próximos anos é de continuidade desse movimento. A crescente preocupação internacional com segurança energética e disponibilidade de fontes renováveis passou a influenciar diretamente as decisões de investimento das grandes companhias globais. Nesse cenário, o Brasil aparece como uma alternativa relevante por reunir reservas petrolíferas expressivas e uma matriz elétrica fortemente baseada em fontes renováveis.
O país possui participação de energias limpas na geração elétrica muito acima da média mundial, fator que pode ampliar sua inserção em cadeias globais de valor ligadas à transição energética e à descarbonização da economia.
Enquanto o fluxo de investimento estrangeiro reforça a percepção positiva sobre ativos brasileiros no longo prazo, o ambiente financeiro de curto prazo permaneceu pressionado nas últimas semanas. Nos mercados internacionais, as incertezas envolvendo inflação, petróleo e crescimento econômico provocaram resistente reprecificação dos juros americanos e aumentaram a aversão ao risco.
Nos Estados Unidos, os índices Nasdaq e S&P; 500 seguiram sustentados pelo desempenho das empresas de tecnologia, com altas de 0,7% e 0,6%, respectivamente. No Brasil, porém, o Ibovespa recuou 3,8%, encerrando a semana na faixa dos 177 mil pontos. Apesar da queda recente, o índice ainda acumula valorização próxima de 10% em 2026.
O dólar avançou 3,3% frente ao real, encerrando o período cotado a R$ 5,05. Ao mesmo tempo,
os contratos futuros de juros passaram a incorporar prêmios maiores tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
A pressão internacional aumentou após a divulgação dos indicadores de inflação americanos. O índice de preços ao consumidor dos EUA veio em linha no dado cheio, mas acima das expectativas no núcleo da inflação. Já o índice de preços ao produtor surpreendeu o mercado com números superiores ao esperado, reforçando temores de manutenção dos juros elevados por mais tempo.
A redução dos estoques de petróleo em Cushing, nos Estados Unidos, também ampliou as preocupações em relação ao comportamento futuro da inflação global. O barril do petróleo WTI avançou 6,6% na semana, superando US$ 104.
Com isso, a curva de juros americana passou por nova abertura, levando o rendimento dos títulos de dez anos para 4,60%, acima dos 4,36% registrados na semana anterior. O movimento também impactou o mercado brasileiro, mesmo com o IPCA de abril vindo ligeiramente abaixo das expectativas, ao registrar alta de 0,67%.
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