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Economia
Brasil tem avanço nas negociações com os EUA, mas mantém etanol fora do acordo
Governo concentra esforços para evitar novas tarifas e descarta ampliar a pauta de discussões durante as tratativas comerciais
Por Hugo Cilo
Compartilhe Publicado em: 08/07/2026 às 00:01
Última atualização: 09/07/2026 às 16:28
Imagens: Foto ilustrativa gerada com IA
Governo alega que discutir apenas a tarifa sobre o combustível desconsidera a integração das cadeias produtivas O governo brasileiro avalia que as negociações com os Estados Unidos para evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos nacionais registraram avanços, especialmente na cooperação bilateral para o combate ao crime transnacional. A avaliação foi apresentada nesta terça-feira (7) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, após mais uma rodada de reuniões técnicas com representantes do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).
Segundo o ministro, o tema atende a uma demanda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e passou a contar com receptividade por parte das autoridades americanas. “Nós tratamos de um pedido que o presidente Lula tem feito de cooperação integrada de combate ao crime transnacional. Há reconhecimento de que é possível avançar nesse ponto”, afirmou.
A expectativa do governo é realizar ainda nesta semana uma nova reunião técnica e um encontro político com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, antes do encerramento da consulta pública que antecede a decisão sobre a adoção das tarifas.
Apesar da sinalização positiva em alguns assuntos, Márcio Elias Rosa afirmou que o Brasil pretende manter as conversas restritas ao impasse tarifário, evitando a inclusão de outros temas na agenda bilateral.
“A principal orientação do presidente é que não sairemos da mesa e também não deixaremos que outros temas sejam discutidos”, disse.
Entre os assuntos que o governo brasileiro pretende preservar fora das negociações está o etanol. O ministro argumentou que discutir apenas a tarifa incidente sobre o biocombustível desconsidera a integração existente entre as cadeias produtivas de etanol e açúcar, além dos impactos econômicos para a indústria nacional.
“O governo vem defendendo que o etanol não seja tratado nessa discussão. É uma pena que outras pessoas pensem diferente para que o etanol americano possa entrar no mercado brasileiro com facilidade”, afirmou.
Márcio Elias Rosa também destacou que o segmento tem relevância estratégica para a economia, sobretudo na Região Nordeste, e lembrou que o açúcar brasileiro ainda enfrenta barreiras significativas para acessar o mercado americano. “Nosso açúcar tem sobretaxa nos Estados Unidos de quase 100%. Não dá para dissociar as duas cadeias”, declarou.
Diante do prazo reduzido para uma definição, o ministro afirmou que a estratégia será concentrar esforços nos pontos em que há maior possibilidade de consenso entre os dois países. “O prazo é curto. Temos que focar no que pode dar resultado positivo”, disse.
A posição do governo recebeu apoio de representantes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, da União Nacional do Etanol de Milho e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil durante audiência pública promovida pelo USTR. As entidades defenderam que a redução das importações de etanol dos Estados Unidos está relacionada principalmente ao crescimento da produção brasileira de etanol de milho, que diminuiu a necessidade de compras externas, e não apenas às tarifas aplicadas pelo Brasil.
Na avaliação do setor, Brasil e Estados Unidos, que lideram a produção mundial de etanol,
deveriam concentrar esforços na expansão do mercado internacional de biocombustíveis, em vez de ampliar disputas comerciais entre os dois países.
As negociações ocorrem paralelamente à investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O mecanismo autoriza o governo americano a apurar práticas comerciais consideradas desleais ou prejudiciais às empresas do País e, caso identifique irregularidades, permite a adoção de medidas como sobretaxas ou outras restrições às importações.
No caso brasileiro, a investigação envolve temas como comércio digital, propriedade intelectual, compras governamentais e outras políticas comerciais. Antes da decisão final, o governo dos Estados Unidos mantém aberta uma consulta pública para receber manifestações de empresas e entidades interessadas.
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