Bolsa acumula queda de 3,12% na semana e dólar sobe 1,88% com crise bolsonarista (Italia)

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Economia

Bolsa acumula queda de 3,12% na semana e dólar sobe 1,88% com crise bolsonarista

Mercado reagiu ao escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, mas investidores já começam a precificar fortalecimento eleitoral de Lula

Por Hugo Cilo

Compartilhe Publicado em: 15/05/2026 às 19:11

Última atualização: 17/05/2026 às 21:44

Imagens: Ilustração gerada com IA

Apesar das críticas à política fiscal do governo, um cenário de continuidade política pode trazer previsibilidade O mercado financeiro brasileiro encerrou a semana entre os dias 11 e 15 de maio sob robusto turbulência política e econômica. O Ibovespa acumulou queda de 3,12% no período, enquanto o dólar avançou 1,88%, refletindo a combinação entre cautela eleitoral, instabilidade política doméstica e aumento das tensões externas, especialmente no petróleo.

Nesta sexta-feira, o dólar comercial subiu 1,63% e fechou cotado a R$ 5,067. Já o Ibovespa recuou 0,79%, encerrando o pregão aos 176.948 pontos. No acumulado de maio, a bolsa brasileira já registra perdas de 4,78%.

O principal gatilho da deterioração do humor dos investidores foi a repercussão dos áudios e evidências de corrupção envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O episódio provocou forte desconforto entre agentes financeiros porque Flávio vinha sendo tratado por parte relevante do mercado como o nome mais competitivo da direita para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições deste ano.

A avaliação predominante na Faria Lima é que o escândalo enfraquece a construção de uma candidatura conservadora viável e amplia exponencialmente as chances de reeleição de Lula. O mercado reagiu inicialmente de forma negativa à percepção de fortalecimento político do atual presidente,



sobretudo pelo receio de continuidade da expansão fiscal e de novas medidas de estímulo ao consumo.

Nos bastidores do mercado já começa a surgir uma leitura mais pragmática. Parte dos investidores avalia que, apesar das críticas à política fiscal do governo, um cenário de continuidade política pode trazer previsibilidade institucional e reduzir riscos de ruptura ou radicalização eleitoral.

Em relatório divulgado nesta semana, economistas da XP Investimentos afirmaram que o mercado brasileiro atravessa um movimento de “reprecificação política”, em que investidores tentam recalibrar cenários eleitorais após o desgaste da candidatura de Flávio Bolsonaro. Segundo os analistas, o aumento da volatilidade foi provocado pela rápida desmontagem de posições que apostavam em uma candidatura forte da direita em 2026.

Já André Perfeito, economista-chefe da APCE, avaliou que “o investidor odeia incerteza política mais do que governos previsíveis”. Segundo ele, apesar da reação negativa inicial, a percepção de consolidação eleitoral de Lula tende a reduzir parte da volatilidade no médio prazo, principalmente se o cenário externo colaborar.

O estrategista Felipe Miranda, da Empiricus Research, também afirmou o Brasil continua barato em relação a outros mercados emergentes. Segundo ele, “a bolsa brasileira segue negociando com desconto relevante”, sobretudo em setores ligados a commodities, bancos e consumo doméstico, o que pode favorecer uma recuperação técnica nas próximas semanas.

Além do ambiente político doméstico, o avanço do petróleo no exterior também pressionou os ativos brasileiros ao longo da semana. Investidores acompanharam com preocupação o aumento das tensões geopolíticas envolvendo Oriente Médio, Estados Unidos e China, movimento que elevou a aversão global ao risco e reduziu o fluxo para mercados emergentes.

Para a próxima semana,



analistas enxergam possibilidade de recuperação parcial da bolsa brasileira e acomodação do dólar, desde que não surjam novos fatos políticos capazes de ampliar a crise envolvendo Flávio Bolsonaro. A expectativa predominante entre operadores é de que o dólar possa voltar a operar abaixo de R$ 5 caso o fluxo estrangeiro retorne parcialmente para a renda variável brasileira.

Ainda assim, o mercado seguirá monitorando três fatores centrais: os desdobramentos políticos do caso Vorcaro-Flávio Bolsonaro, os sinais do governo Lula sobre novas medidas econômicas de estímulo e a trajetória dos juros americanos. A combinação entre política doméstica, cenário eleitoral antecipado e tensão geopolítica deve manter os investidores em estado de atenção elevada nas próximas semanas.

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