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Economia
Aposentadorias aceleram renovação de equipes e elevam pressão por novas lideranças
Transição geracional ganha força nas organizações e reforça a demanda por qualificação profissional, inclusão e estratégias para retenção de talentos
Por Hugo Cilo
Jaqueline Mendes
Jaqueline Mendes
Compartilhe Publicado em: 21/06/2026 às 22:12
Última atualização: 22/06/2026 às 19:12
Imagens: Divulgação
Suzana Coelho, CEO do Instituto Afetto, diz que o desafio atual vai além da criação de políticas corporativas
Com a saída crescente de profissionais mais experientes do mercado de trabalho, empresas de diferentes setores intensificam os investimentos em formação de lideranças e gestão de talentos para enfrentar um dos maiores desafios organizacionais da próxima década. Estudos da Clarkston Consulting apontam que, até 2027, a aposentadoria da geração Baby Boomer poderá resultar na saída de cerca de 4 milhões de trabalhadores por ano, reduzindo em até 10% a força de trabalho disponível nas organizações.
O movimento tem despertado atenção especial de conselhos de administração e executivos, que buscam acelerar a preparação de sucessores e reduzir os riscos associados à perda de conhecimento acumulado. Ao mesmo tempo, a renovação dos quadros corporativos abre espaço para uma transformação mais ampla na composição das equipes, fortalecendo pautas relacionadas à diversidade, equidade e inclusão.
A mudança também encontra respaldo entre os próprios trabalhadores. Levantamento realizado pela Catalyst em parceria com o Meltzer Center for Diversity, Inclusion and Belonging mostra que 69% dos profissionais desejam apoiar empresas comprometidas com a inclusão, enquanto 74% afirmam preferir atuar em organizações que mantenham esse compromisso de forma permanente.
Para Suzana Coelho, consultora em direitos humanos e CEO do Instituto Afetto, o desafio atual vai além da criação de políticas corporativas. Segundo ela, o principal obstáculo está na capacidade de transformar diretrizes em iniciativas concretas capazes de gerar resultados mensuráveis.
“Em muitos casos,
o desafio já não está apenas na formulação de diretrizes ou no reconhecimento dos problemas, mas na capacidade de transformar compromissos e normativas em ações concretas, acessíveis e capazes de produzir mudanças reais na vida das pessoas. Estamos observando a saída dos Baby Boomers e a consolidação da Geração Z no centro do trabalho, trazendo novas formas de enxergar o mundo e uma expectativa maior por ambientes baseados em respeito, escuta e diálogo”, afirmou.
A especialista lembra que o debate sobre representatividade no contesto corporativo ganhou relevância global há mais de uma década, quando a McKinsey destacou o impacto econômico da paridade de gênero. Segundo a consultoria, o avanço da igualdade poderia adicionar até US$ 28 trilhões à economia mundial. Para Suzana, a discussão hoje envolve um conjunto mais amplo de grupos historicamente sub-representados.
“Pessoas com deficiência, população LGBTQIAPN+, pessoas negras, idosos e adolescentes vivenciam os espaços de maneiras distintas. Incorporar essas perspectivas na tomada de decisão contribui para soluções mais efetivas e alinhadas às demandas da sociedade e do futuro das organizações”, disse.
Com experiência internacional em projetos sociais e de desenvolvimento humano, incluindo atuação em Angola, Suzana destaca que a preparação de novos líderes será um dos fatores decisivos para o sucesso das empresas nos próximos anos. Ela observa que a saída dos profissionais mais experientes tende a ampliar lacunas em posições executivas, especialmente em organizações que não investiram de forma consistente em sucessão.
“Os estudos mostram uma preocupação crescente com a falta de preparação para cargos de liderança. Nesse contexto, programas de upskilling e reskilling tornam-se fundamentais para acelerar o desenvolvimento de competências e garantir a continuidade dos negócios”, afirma.
Além da capacitação, a especialista aponta que as empresas deverão ampliar iniciativas voltadas à inclusão social, acessibilidade, saúde mental, equidade racial e monitoramento de indicadores relacionados ao impacto social. Na avaliação dela, o momento exige menos a criação de novas agendas e mais a consolidação das práticas já implementadas.
À frente do Instituto Afetto, organização que desenvolve projetos para empresas e instituições como iFood, VINCI Airports, Plan International Brasil e Grupo JCPM, Suzana observa um aumento da demanda por programas voltados ao fortalecimento de redes de apoio, inclusão produtiva e letramento em direitos humanos.
Entre os exemplos citados estão iniciativas para entregadores e parceiros do iFood, projetos desenvolvidos em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e ações voltadas à identificação e acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade social em aeroportos administrados pela VINCI Airports.
Para a executiva, a intensificação da transição geracional tornará ainda mais importante a capacidade das organizações de conectar pessoas, comunidades e instituições em torno de objetivos comuns. “Os desafios devem se tornar mais complexos até 2027. A capacidade de criar pontes entre diferentes grupos e transformar compromissos em resultados concretos será um diferencial cada vez mais relevante para empresas e lideranças”, completou.
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